A adolescência e alguns dos fatores que influênciam essa etapa da vida.

Palestra

No início de junho, a SEE-SAW realizou o 2º Education Talks desse ano. Desta vez, o tema envolveu a adolescência e as principais dúvidas e preocupações que os pais têm quando percebem que os filhos chegaram nessa etapa do desenvolvimento.

Quem falou com os pais, foi o diretor Cesar Pazinatto. No texto abaixo, ele complementa algumas informações sobre a adolescência e disponibiliza alguns links para as referências mencionadas na palestra.

Confira.

A introdução do livro “Álcool e drogas na adolescência: Um guia para pais e professores”, do qual fui coautor, serviu como inspiração para uma atividade que desenvolvi em uma das minhas aulas. Preparei uma linha do tempo mostrando que, ao atingir certa idade, crianças, integravam-se à vida adulta, fosse por necessidade bélica ou social.

Adolescência era um dos temas das minhas aulas de orientação com os alunos do ensino médio da SEE-SAW em 2016 e foi interessante mostrar como essa etapa da vida era percebida em outras épocas ou em diferentes contextos sociais.

Preparei os slides com os resultados da pesquisa que havia feito e acrescentei imagens do projeto ‘Classroom Portraits 2004 – 2012’ do fotógrafo inglês Julian Germain.  Durante oito anos, Germain viajou o mundo todo fotografando escolas e as condições de ensino em diferentes países.

Meus alunos do séc. XXI se surpreenderam com o fato de, ao atingir certa idade, crianças integrarem-se à vida adulta, fosse por necessidade bélica ou social. Guerras, casamentos e trabalho surgiam no horizonte de meninos e meninas já aos 12 anos e para isso bastava terem vivido alguns séculos antes. Os contrastes e as diferentes perspectivas apresentadas auxiliou na reflexão e envolvimento da maioria nas conversas que tivemos.

Volto ao livro escrito pela psicóloga Ilana Pinsky e por mim para complementar alguns dos pontos sobre adolescência abordados no dia 9 de junho.

“Não há ainda uma definição única para o período de vida que chamamos de “adolescência”. As demarcações dependem de vários fatores, incluindo (com destaque) os socioeconômicos. Porém, para qualquer um de nós com alguma vivência mais próxima no assunto, pais, professores, profissionais de saúde, é quase uma unanimidade a percepção que o período tem se alongado nos últimos anos. E com esse alargamento/extensão/prorrogação, as questões típicas da fase podem se tornar ainda mais intensas, tanto para os pais e professores quanto para o próprio adolescente.”

“De maneira geral, considera-se que a adolescência se inicia com o princípio da puberdade, que, no caso das meninas, tem ocorrido por volta dos 10 anos. Já o final da adolescência teria relação não só com a chegada da maioridade civil (18 anos no Brasil), mas com uma série de acontecimentos e atitudes que atestariam um salto na real independência do indivíduo (emprego estável e autossuficiente, relacionamentos emocionais mais firmes, tomada responsável de decisões próprias). Assim, é fácil reconhecer nossos adolescentes de 23, 24 anos…”

A primeira fase da adolescência acontece entre os 10 e 14 anos. Além das perceptíveis mudanças físicas trazidas pela puberdade, ficam evidentes a maior capacidade de pensamento abstrato, o desenvolvimento do pensamento moral e as mudanças sociais e emocionais. Aumenta a preocupação de se enquadrar ao grupo, a percepção mais clara das imperfeições dos pais e o início do afastamento diante da necessidade de o adolescente formar uma identidade própria.

Dos 15 aos 19 anos vem a segunda fase. Do ponto de vista cognitivo, há uma capacidade muito simples de fazer planos para o futuro e pensar além das questões puramente imediatas. Social e emocionalmente, os amigos geralmente têm seu papel ampliado e a vida afetiva, com direito a namoros, paixões e sexo torna-se mais presente.

Na cultura brasileira ainda se tem a expectativa que o adolescente decida seu futuro profissional e tenha capacidade e maturidade para lidar com uma série de fatores significativos (vestibular, estágios, trabalho) e com maior independência (permissão para dirigir e votar, maior independência para ir e vir, assumir as consequências de seus erros e acertos). Esse é um período difícil para os nossos jovens.

A família, desde a gestação, tem um papel que permanece muito importante durante todo o processo de desenvolvimento dos filhos. Aspectos econômicos-culturais, de saúde mental dos pais e familiares, o direcionamento educacional, a visão pessoal dos pais sobre diversas questões, incluindo o consumo de álcool e drogas, interferem na formação do jovem.

Brian Flay (1947-2021), psicólogo neozelandês reconhecido por suas pesquisas em promoção de saúde e abuso de drogas, afirmava que a influência da família sobre o jovem não diminui com a chegada da adolescência. Por isso, precisamos “emprestar nosso cérebro” aos filhos para ajudá-los a relativizar a importância crescente do grupo de amigos e resistir às eventuais pressões negativas.

Nem sempre é fácil lembrar ou aceitar que mentíamos para os nossos pais e que nossos filhos também mentem para nós. A diferença é que, a depender de quanto investimos na proximidade com eles, mais fácil perceberão que podem contar conosco.

Como disse na palestra, eles não vão nos contar tudo, mas precisam saber que essa opção existe.

Cesar Pazinatto – biólogo e educador.

Links e informações

Se você não assistiu a transmissão ao vivo no YouTube ou quiser revê-la clique no link: “Álcool e Drogas na adolescência: O que há de novo e com o que devemos nos preocupar.”

Para acessar os slides apresentados na palestra clique aqui.

Páginas na internet

“Cigarro eletrônico: ‘Estamos criando uma legião de dependentes de nicotina’, diz Drauzio Varella”página da ACT Promoção de Saúde.

“Seis em cada dez estudantes haviam experimentado bebida alcoólica na pré-pandemia” – página da Agência de Notícias IBGE

“Vaping & Cannabis Trends Among Young Adults (19-22)”página do NIDA (National Institute on Drug Abuse)

“Percentage of adolescents reporting drug use decreased significantly in 2021 as the COVID-19 pandemic endured” – página que apresenta os principais resultados do The Monitoring the Future Pesquisa realizada pelo NIDA em parceria com a Universidade de Michigan (EUA).

“GenExit: a geração que quer vida mais analógica sem sair da internet.” – artigo escrito por Natália Eiras Da Universa em 29/10/2018.

“Everybody thinks in memes now “– página da revista digital DAZED com texto escrito por Tierney Finster mencionando a pesquisa da BOX1824 e o termo “GenExit”.  

“GenExit” – pdf com os achados da pesquisa da BOX1824.

“The Dark Side of Social Media” – artigo escrito por Emma Hope Allwood em para o site “The Business of Fashion”

Generation K: Understanding Teens Today – página da economista e pesquisadora Noreena Hertz

Vídeos

Vídeos produzidos pelo Departamento de Transportes do Colorado (EUA) depois que houve um aumento nos acidentes de trânsito envolvendo motoristas dirigindo sob efeito de maconha.

Binge Girl – ‘Know your Limits’– vídeo da campanha do governo inglês para prevenir o beber pesado entre jovens de 18 a 24 anos

Binge Boy – ‘Know your Limits’  – versão masculina do vídeo anterior.

“Desserviço ao Consumidor” – seriado produzido pela Netflix. A 1ª temporada tem 4 episódios.  “A Febre do Vape” é o título do 2º episódio. Sugestão de uma mãe da escola.

Livros

Saúde emocional – como não pirar em tempos instáveis – Ilana Pinsky e Marcelo Ribeiro – Editora Contexto

A geração do quarto: Quando crianças e adolescentes nos ensinam a amar  – Hugo Monteiro Ferreira – Editora Record – Sugestão feita por uma mãe ao final da palestra.

Pdf

“Geração paralisia”– artigo escrito por Ronaldo Lemos na Folha de São Paulo em 30 de maio de 2022.

“Como descrever a nova geração?” – artigo escrito por Ronaldo Lemos na Folha de São Paulo em 11 de junho de 2018.

Legalization of cannabis in Washington State: how is it going? – editorial da revista Addiction sobre a legalização da droga no Estado de Washington (EUA)

Spear LP Adolescent Neurodevelopment Journal of Adolescent Health – February 2013 (Vol. 52, Issue 2, Supplement 2, Pages S7-S13, DOI: 10.1016/j.jadohealth.2012.05.006)

Johnson SB, Blum RW, Giedd, JN Adolescent Maturity and the Brain: The Promise and Pitfalls of

Neuroscience Research in Adolescent Health Policy Published in final edited form as:J Adolesc Health. 2009 September; 45(3): 216–221. doi: 10.1016/j.jadohealth.2009.05.016.

Young adult sequelae of adolescent cannabis use: an integrative Analysis – Edmund Silins, L John Horwood, George C Patton, David M Fergusson, Craig A Olsson, Delyse M Hutchinson, Elizabeth Spry, John W Toumbourou, Louisa Degenhardt, Wendy Swift, Carolyn Coff ey, Robert J Tait, Primrose Letcher, Jan Copeland, Richard P Mattick, for the Cannabis Cohorts Research Consortium Lancet Psychiatry 2014; 1: 286–93”

“Cannabis use in adolescence”  – David Fergusson Christchurch Health and Development Study, University of Otago, Christchurch & Joseph Boden Christchurch Health and Development Study, University of Otago, Christchurch

Cesar Pazinatto, professor e diretor da SEE-SAW fala com pais da escola durante a palestra: “Álcool e Drogas na adolescência: 
O que há de novo e com o que devemos nos preocupar.”
Cesar Pazinatto, professor e diretor da SEE-SAW fala com pais da escola durante a palestra: “Álcool e Drogas na adolescência:
O que há de novo e com o que devemos nos preocupar.”
O evento foi transmitido pelo Youtube e contou com a presença de vários pais no auditório da escola.
O evento foi transmitido pelo Youtube e contou com a presença de vários pais no auditório da escola.
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